Archive for the 'Dialogo, com verso' Category

– Cumpra se és meu filho

– Cumpro não, meu pai

– Desgraça és de menino

– Porque não abato novilhos como tais…

– Não, por tua desonra à coragem

– Covarde é você, meu pai

– O quê?

– Que mata com vontade…

– Meu filho, escute

– Estou de ouvidos

– Lembras da surra de chicote?

– Claro, papai…

– E lembras de como o flagelo é doído?

– Sim, papai…

– Então, matas o novilho?

– Não… a dor do chicote é menor que o abate de animais…

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Cadê água do rio? (ah, choro me vem)
Rio, meu bem, como riso vazio, seca-se também.

 

Dum canto, somente,

                achei lápis e um papel

                         já, tinta ainda quente,

               no sangue de seu véu.

 

                               E risquei linhas,

                          letras doentias, minhas

                  rimadas pelo medo

                          de seres minha sozinha,

                            minha morta

                                       em segredo.


Curta!

São dez palavras, secas, escritas. Se dizem caladas, digo egoístas

Ora, por que?

Muitos de nós vivemos em busca de alguns significados, porquês. Explicações para o que sentimos, desejamos, ou até porque as vezes sorrimos e choramos. Por isso, textos científicos e autoajudas, cheios de porquês, são escritos para nos confortar e fazer parecer que, para tudo, existe para tudo um porquê.
Diante desses complexos, a poesia é mais simples. Ela não tem significados, porquês. Ela é como o amor que sentimos e não sabemos explicar porque, simplesmente, não há um porquê. A poesia é apenas sentimento passageiro, um desenho irresponsável com as palavras que sai da cabeça, corre pelo papel e alí fica. Alí fica sem sabermos porquê.

Quem

Tiago Ribeiro é estudante de jornalismo e vive sob a liberdade da música. Não acredita no dinheiro como fonte de felicidade e em pessoas que não o olhe nos olhos – acredita nas crianças. Dorme pouco para viver mais, e acorda cedo para ver o sol.

O que é Haikai?

O haicai é um pequeno poema composto por três versos, surgido no Japão do século XVI. Na escrita do poema em português, aceita-se de 17 à 21 sílabas.

O que passou…

Contato

tiago.ribeiros@terra.com.br